Zanine Caldas: Além da Arquitetura

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ZANINE CALDAS: ALÉM DA ARQUITETURA

texto por: Jayme Vargas

José Zanine Caldas nasceu na cidade de Belmonte, no sul da Bahia, no ano de 1919.

Dotado de um espírito inquieto e de grande energia criativa, ele desenvolveu múltiplas atividades profissionais. Atuou como maquetista, arquiteto, escultor, professor e designer de mobiliário.

“Desde pequeno fui fascinado por quem fazia. O alfaiate que fazia roupas, a cozinheira que fazia comida, o carpinteiro que fazia mesas e cadeiras, o mestre de obras que fazia casas... e olhando o fazer aprendi a fazer também”

Intuitivo e autodidata, Zanine não possuía formação convencional, mas ainda assim se destacou nos vários ofícios que praticou.

Foi o mais importante maquetista da sua geração, atuando como professor nos departamentos de maquetes das universidades FAU USP em São Paulo, e UNB em Brasília.

Criou projetos arquitetônicos originais e estruturalmente arrojados, utilizando a madeira como elemento central. Empregou ainda materiais reaproveitados, que encontrava com freqüência nas proximidades do lugar onde construía, e detalhes como portas, janelas e gradis, adquiridos em antiquários.  Buscou sempre integrar as suas construções aos locais e às paisagens do seu entorno.

Zanine concebeu e produziu peças de mobiliário em dois momentos distintos, e em circunstâncias bastante diversas em cada uma das iniciativas que realizou nesta área.

A década de 1950 se caracterizou no Brasil, por fatores como a aceleração do processo de industrialização e uma maior difusão das propostas do móvel moderno no país.

Em 1949 Zanine fundou em sociedade com Sebastião Pontes, a Fábrica de Móveis Z.

A empresa foi planejada a partir da produção industrial em série. Os seus equipamentos produtivos e maquinários estavam em conformidade com o estágio da industrialização brasileira naquele instante, que não contava com significativa disponibilidade de capitais ou de recursos tecnológicos. No entanto, os produtos, idealizados por Zanine, obtiveram, através do uso da madeira compensada recortada, boa qualidade e preços acessíveis, ampliando a faixa de consumidores da mobília moderna, para além do que era usual no período.

Quase duas décadas depois, Zanine se recordaria da infância em Belmonte, cidade então cercada por florestas poderosas, progressivamente devastadas pela busca por áreas de plantação e pastagem. A visão das árvores centenárias derrubadas e incendiadas marcariam o seu pensamento, e o levariam ao ativismo pela valorização da madeira, e contra a veloz destruição das matas brasileiras.

Em 1968, ele se estabeleceu em Nova Viçosa, na Bahia, e iniciou uma produção de móveis artesanais esculpidos em madeira maciça, a partir das sobras dos processos de desmatamento e das queimadas.  Peças que ele chamou de “moveis denúncia”, com as quais procurava questionar a devastação das nossas florestas.

Móveis deste ciclo, que trazem mínima interferência nas texturas e colorações originais da madeira, compõem ao lado de esculturas obtidas através do mesmo processo de criação, a exposição “Zanine Caldas: Além da Arquitetura”. Expressão clara do trabalho e do amor de Zanine por aquela que considerava ser a sua matéria mãe: a madeira.

Integram a exposição, esculturas e mobiliário originários de uma residência na praia da Joatinga, no Rio de Janeiro, apontada como um dos mais importantes projetos arquitetônicos de Zanine Caldas.